Samba do Ravel doido…

Henrique França
@RiqueFranca

 

    Que a beleza da Praia do Jacaré atrai milhares de turistas ao local, não há como negar. Que o som do Bolero de Ravel no fim de tarde tornou-se marca registrada e poética de um dos principais cartões-postais da Paraíba, muito menos. Agora, que os serviços prestados e a organização que envolve atendimento, cordialidade e uso do bom senso muitas vezes escorregam no excesso, isso é verdade.

    Exemplo disso está na própria Praia do Jacaré, em Cabedelo, e no seu pôr do sol ao som do bolero tocado pelo saxofonista Jurandir do Sax. Até aí, roteiro exemplar: o homem percorre uma das belas melodias da música clássica da história, sobre uma canoa que viaja calmamente acima das águas, enquanto a cena é apreciada e reverenciada por visitantes, turistas, paraibanos ou não, de dentro e fora do Brasil.

    A coisa desafina quando o bolero termina e, mal o sol se deita, levanta-se uma cortina de barulho e mistura de sons, uma guerra de trilhas sonoras que deveriam embalar os bares do Jacaré, mas descompassa com o clima de harmonia local-natureza-canção. A velha mania de aumentar demais o volume de suas caixas de som e fazer disso um embate entre concorrentes não é exclusividade dos bares do Jacaré, mas, convenhamos, ali temos uma responsabilidade a mais do que em qualquer aglomerado de bares longe dos holofotes de turistas até estrangeiros.

    O uso adequado da música em bares e restaurante também faz parte da atração para quem escolhe e visita um estabelecimento onde, além da beleza ao redor e da boa comida, pretende curtir uma boa conversa entre amigos – ou dançar… e para isso não precisa ficar ensurdecido. Bom senso, caros, faz tão bem quanto contemplar um belo pôr do sol. É tão agradável quando ouvir, no lugar de barulho, um bom bolero.

Cuidado ao locar veículos!

    O cliente resolveu locar um carro para viajar com a família. Escolheu uma empresa “consolidada”, reconhecida no País inteiro – e até fora dele. Serviço prestado de forma correta, segura, certo? Errado. Antes mesmo de chegar à agência para buscar o veículo, informações solicitadas e transmitidas via atendimento telefônico destoam do que seria o ‘verdadeiro’ contrato entre locador e locatário. Ao telefone: “a diária do veículo custa R$ 190”. Na agência: “a diária fica por R$ 269”. Uma boa diferença, não? Justificativas: 10% de taxa de serviço (é locadora de veículos ou restaurante?) e dois tipos de seguro: do veículo locado e de um possível terceiro – se não quiser, tudo bem, corra o risco de arcar com o valor integral do carro. E aí?

    “Mas, por que não me disseram isso ao telefone?”, pergunta o cliente. “Porque essa não é a função da telefonista. Ela apenas reserva o veículo”, responde, nada cordialmente, a atendente. Detalhe: a ‘telefonista’, como dito, não apenas reservou o carro como solicitou a numeração do cartão de crédito e avisou: “caso haja desistência da locação o valor da diária será debitado da sua conta”. Que ‘telefonista’ mais eficiente, hein?

“Tudo bem. É o jeito”, responde o cliente. Mas, ele nem desconfia, há sempre um jeitinho de desrespeitá-lo ainda mais. O fato novo: no cartão de crédito ficará uma garantia, para a empresa, pré-autorizada de R$ 1.700! Isso mesmo: a locação custa R$ 190 – ou seria R$ 269?!? -, mas a locadora de veículos famosa e internacional abre um débito pré-autorizado quase dez vezes maior do valor inicial acordado, via ‘telefonista’ (lembram dela?).

Enfim, na ficha de cadastro são solicitados, além dos dados pessoais usuais, duas referências com telefone fixo – não pode informar celular – e até salário do cliente. Exatamente isso. Não há uma explicação plausível para o requerimento da informação salarial, e a atendente, nada afeita a simpatias, simplesmente responde “pode deixar esse quadro em branco, se quiser”.

Finalmente, muito a contragosto, o carro é locado. Viagem feita, retorno, novo atendimento e… surpresa! Paga-se mais cerca de R$ 80 por menos da metade do tanque de combustível. Na locadora internacional e famosa não se cobra pelo litro do combustível, mas por quartos de tanque. Curiosidade vem à tona: “quanto custa o tanque inteiro?”. A resposta é inacreditável: R$ 211,00. Provavelmente ali se usa gasolina de avião.

Enfim, não vale a pena dizer no nome da tal empresa famosa e internacional. Mas, que fique o registro: cuidado, porque há casos em que o estabelecimento “loca” o carro e “alisa” o cliente!

(*) Texto publicado na coluna #CotidianaMente, do Jornal A União, edição de 30 de junho de 2011

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2 responses to this post.

  1. Esses 10% de taxa de serviço referem-se a que? O carro vem com motorista ou guia turístico?

    Responder

    • A simplesmente nada, Ana! Nem motoristas, nem guia. Isso sequer deve ser legal ou obrigatório, a exemplo dos bares e restaurantes. Muita gente comentou, via twitter, que a prática é corriqueira em outras locadoras. Um absurdo!

      Responder

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