Segurança nos coletivos em (re)pauta…

Henrique França
@RiqueFranca

                 Em resposta ao texto publicado ontem, neste espaço, recebi da jornalista Eliane Sobral, assessora de imprensa da Associação das Empresas de Transporte Coletivo de João Pessoa (AETC-JP), texto esclarecendo alguns pontos sobre a instalação de câmeras de segurança no interior dos ônibus que circulam em João Pessoa. Entusiasta do debate respeitoso e da troca de idéias e informações que contribuam para uma leitura crítica ao que é dito #CotidianaMente, gostaria de publicar, na íntegra, as palavras da Assessoria de Imprensa da AETC-JP a respeito do texto “A segurança nos coletivos anda estacionada”:

Bom dia Henrique

Foi oportuno e bastante atual, frente aos recentes acontecimentos de violência e insegurança que vive a população de um modo geral, em especial, os passageiros do sistema de transporte público de João Pessoa, que nos dois últimos dias se deparou com uma forma terrorista de atuação nunca antes vista na nossa cidade, a iniciativa de tratar do tema da vigilância eletrônica nos coletivos de João Pessoa.

O projeto de instalação das câmaras nos ônibus não “está estacionado”. Ao contrário, continua sendo desenvolvido. Atualmente, mais de 300, dos 454 ônibus que ficam em circulação na cidade que integram a frota operante estão equipadas com câmeras de última geração, que utilizam tecnologia digital e gravam as filmagens em CD. Cada veículo tem dois equipamentos, sendo um na entrada, próximo ao motorista e outro na parte de trás, próximo ao cobrador, o que permite uma filmagem ampla do interior do veículo, sem áreas de sombra. O projeto sofreu alguns revezes, a exemplo da inadequação dos equipamentos que ao longo do projeto tiveram que ser substituídos, além de outros problemas operacionais, mas continua em andamento.

Esses equipamentos, de fato, fazem a diferença, pois eles inibem os assaltos e quando estes acontecem as pessoas são facilmente identificadas quando não estão usando máscaras ou capacetes. A polícia, inclusive, faz uso desse material cedido pelas empresas para identificar os autores das práticas delituosas. No caso destes incêndios, infelizmente, de nada adiantam as câmeras, pois elas queimam junto com a carcaça do ônibus já que os equipamentos não resistem à elevada temperatura do incêndio.

Outra questão que precisa ser esclarecida é quanto à responsabilidade das empresas no tocante a segurança do passageiro. Cabe às empresas transportar seus clientes de forma regular, sem interrupção do serviço, com operadores treinados para tal finalidade, cumprindo horários e itinerários pré-estabelecidos pelo órgão público gestor, em veículos adequados e específicos para tal serviço. No que diz respeito à segurança pública e a integridade física do cidadão, em casos de assaltos ou sinistros, isso é uma prerrogativa, exclusiva, do Estado, tanto que a AETC-JP sempre aciona as autoridades competentes quando o assunto foge de seu domínio e responsabilidade, como agora nos casos destes assaltos, seguidos de prática terrorista.

Grande abraço
Eliane Sobral
Assessora de Imprensa da AETC-JP

 

Dica segura
A respeito da argumentação acima, gostaria de dar uma sugestão: que as câmeras instaladas no interior dos coletivos sejam apenas transmissores de sinal/imagens a uma central de monitoramento. Assim, mesmo em casos de incêndios, as empresas e a polícia teriam imagens dos bandidos do momento da invasão ao coletivo até a ação criminosa de atear fogo no veículo. Todo o processo, evidentemente, precisa ser gravado nessas centrais, distantes das ruas. Câmeras que porventura tenham suas gravações feitas no mesmo local da captação (ou seja, se os CDs com os registros ficam no interior do veículo) são ineficientes. Fica a dica.

 

De Novo!
                Mesmo explicado que o processo de instalação de câmeras está em andamento, a ocorrência de um segundo incêndio em dois dias, na Capital, assusta e joga ainda mais força na discussão. O anunciado seria que todos estariam equipados com câmeras até o final de 2009 e, dois anos depois, ainda faltam 154 veículos para serem monitorados – dois desses, agora, estão totalmente destruídos pelo fogo. E, infelizmente, a violência das labaredas e a atuação dos Bombeiros foram as únicas imagens que ficaram.

(*) Texto publicado na coluna #CotidianaMente, do Jornal A União, edição de 4 de agosto de 2011

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One response to this post.

  1. Posted by Pianista on 4 de agosto de 2011 at 11:28 pm

    Rapaz, ou foi ignorância ou foi inocência… Como é que a assessoria diz que não serve de nada as câmeras neste caso porque tudo seria destruído pelo fogo??? E a central de monitoramento? Quase não acreditei no que li! Hoje, não sei o motivo, tive que usar um ônibus 507 extremamente velho que deu até medo. Será que as empresas de ônibus estão inseguras em João Pessoa? Aposto que sim! Infelizmente nossa calma capital tem demonstrado aglomerar pessoas de péssimo caráter que muitas vezes são provenientes de outros Estados e que gostam de roubar a tranquilidade das cidades mais gostosas de se viver. Lastimável sobretudo é a Segurança na cidade que está em decadência há anos.

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